PENSAMOS?
OU PENSAMOS QUE PENSAMOS?
Ao longo de minha experiência
profissional de mais de quatro décadas, no convívio
social e na observância de todos os meios de comunicação,
hoje abundantes e em mídias diversas, deparo-me
com uma constatação preocupante: são
raras as pessoas que parecem ter idéias e opiniões
próprias fundamentadas ou são capazes
de fundamentá-las.
Resta evidente que a maioria das pessoas, nos dias de
hoje, independente do nível educacional, “pensam”
e se expressam de uma maneira “globalizada”,
isto é, utilizam-se de palavras e construções
verbais de emprego massificado pelo uso corrente, o
que poderíamos classificar como idéias
que estão na moda ou são “politicamente
corretas”, o que quer que isso signifique. Não
se apercebem do fato de que a elaboração
dessas idéias e opiniões não foi
realizada em suas mentes. Foi adotada pronta. Melhor
dizendo, foi comprada pronta nos “shoppings”
e “mercados de opinião”. O que as
levou a fazer a compra foi o “design”, a
“beleza da embalagem” e as vantagens apregoadas
pelo “vendedor”. Mas, para se sentirem mais
seguras em relação à sua propriedade,
começam seus discursos dizendo: “Em
minha opinião...”.
A vida atribulada e a competição social
arrastam à tentação de buscarmos
resultados vantajosos, diretamente e de forma mais rápida,
deixando de nos preocupar com o valor, o para quê
e o porquê das coisas.
Esse comportamento social, de há muito, se estendeu
ao sistema educacional. Da educação básica
ao doutoramento, são raros os estabelecimentos
de ensino que se preocupam com a discussão das
idéias, evidentemente adequada aos diversos níveis
de escolaridade, em uma profundidade que permita aos
alunos construírem suas próprias verdades
e convicções.
Para saltar etapas, a escola, confundindo conhecimento
com informação, à guisa de educação,
entope a cabeça dos estudantes com dados, deixando
de lhes ensinar como transformá-los em conhecimento.
Exemplificando com o ensino da matemática e das
ciências exatas, fazem os estudantes decorarem
fórmulas e as empregar na solução
de problemas esquemáticos. Deixam de lado, completamente,
a compreensão do fenômeno estudado, única
forma de se atingir o saber, seja ele de ciências
exatas, humanas ou de qualquer outra área do
conhecimento. Preocupam-se exclusivamente em fazer os
alunos capazes de repetir idéias e conceitos
e aplicar soluções já conhecidas
para problemas modelos. Se surgem problemas novos, ainda
não estudados, ficam criadas situações
perturbadoras das quais estudantes e professores procuram
fugir. Ai do estudante que se aventura a perguntar sobre
dúvidas que não estão respondidas
no livro texto adotado.
Em muitas universidades, são aceitas teses de
mestrado e doutorado que não passam de “colagens”
repletas de citações e onde a forma é
bem mais importante que o conteúdo. Há
quem ganhe a vida “fabricando” teses...
Como essa cultura permeia as relações
sociais e a escola, é natural que se tenha propagado
a todas as áreas da atividade humana nos campos
social, econômico e político.
Em nosso País, o baixo nível de escolaridade
contribui para tornar mais dramáticas as perniciosas
consequências desse comportamento. Dentre as mais
graves, estão a incapacidade de: escolhermos
os caminhos mais adequados, acharmos novos caminhos,
dominarmos nichos de ciência, decidir conscientemente.
Somos meros copiadores de idéias e soluções
alheias. Não é à toa que, com uma
admirável massa populacional de quase duzentos
milhões de habitantes, não tenhamos, até
hoje, um único Prêmio Nobel.
Em síntese: sem nos apercebermos, entregamos
as mais importantes escolhas de nossa vida a pessoas,
entidades e empresas que, provavelmente, não
estão comprometidas com nossa felicidade e nosso
bem-estar.
Pensando em contribuir para reverter esse fenômeno
social perverso, imaginei um método,
hoje com mais de seis anos de experiência, para
desenvolver ou fazer retornar a nossa adormecida vontade
de pensar. Ele se baseia na busca do conhecimento por
meio da especulação filosófica.
Em outras palavras: utiliza-se da filosofia aplicada.
Pode ser acompanhado por pessoas com variado nível
de escolaridade. São exigidos, unicamente, um
nível normal de inteligência e amadurecimento
intelectual. É adequado para todos aqueles que
não estejam satisfeitos em serem meros coadjuvantes,
consumidores de informação e queiram algo
mais para sua vida intelectual, sejam estudantes, professores,
profissionais diversos, aposentados e pessoas comuns.